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23 de abril de 2014

Harry Seidler | Exposição comemorativa dos 90 anos do precursor do modernismo na Australia




Visitei recentemente a exposição sobre o arquiteto Harry Seidler, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. A exposição, que foi encerrada no dia 06 de Abril, está agora a mostra no Rio de Janeiro na sede do Instituto dos Arquitetos(IAB-RJ), no Flamengo.  A exposição conta com vídeos de entrevistas e documentários sobre o arquiteto, além de fotografias, maquetes e textos descritivos sobre as suas obras.

Nascido de família judaíca e natural de Viena, o arquiteto se mudou para a Inglaterra em 1938, logo após a ocupação da Áustria pelos Nazistas. Foi preso em 1940 pelas autoridades britânicas sob a acusação de ser um ‘inimigo estrangeiro’  e foi entáo deportado ao Canadá. Conseguiu liberdade condicional para cursar arquitetura na Universidade de Manitoba, em Winnipeg, seguindo depois para fazer mestrado em Harvard, onde foi aluno de Walter Gropius e Marcel Breuer, com quem veio a contribuir em seu escritório em Nova Iorque. Após alguns anos trabalhando com Breuer, recebeu uma proposta de sua mãe para projetar-lhe uma casa na Australia.  Ele aceitou e, logo antes de se mudar definitivamente para a Australia, chegou a passar alguns meses no Rio de Janeiro trabalhando com Oscar Niemeyer.

As Casas de Seidler
 
Fotos da casa 'Rose Seidler' que o arquiteto projetou para a sua mãe

A casa que projetou para a sua mãe apresentava de maneira clara os princípios modernistas que Seidler defendia - traços retos, formas puras, estrutura de concreto, telhado plano, janelas em fita e a importância do percurso.  A casa chamou a atenção e Seidler logo começou a receber novas demandas de projeto. Com isso, o arquiteto começou na década de 50 um trabalho de residências que se estendeu ao longo de toda a sua carreira.

Casa Bermann - o telhado curvo demonstra uma influência de Niemeyer

Maquete da Casa Bermann

 “Não existe, em todos os tempos, outro material além do concreto armado que tenha o elemento de dar mais formas.” Harry Seidler

Casa de Julien Rose


Imagens do projeto para a sua casa com sua esposa Penélope
O material aqui aparece em seu estado bruto, muito semelhante aos projetos de Le Corbusier


Seidler trazia ideias novas e desde o princípio se posicionou de maneira forte dentro do mercado australiano. Considerava os escritórios locais ultrapassados e se comprometeu a criar novos padrões de uma arquitetura contemporânea progressista.  Além de seguir a metodologia que aprendeu com Gropius, sua arquitetura trazia uma grande reflexão sobre a aplicação dos materiais, uma noção adquirida pelo contato com Breuer, além de influências da linguagem estrutural de Pier Luigi Nervi e uma fluidez formal de Niemeyer.

Com o tempo, surgiram projetos que iam além da escala das residências unifamiliares. Além de habitações residenciais mutifamiliares, como o Horizon Apartments(1998), Harry Seidler recebeu a comissão para projetar a embaixada da Australia em Paris, o MLC Center(1975) em Sydney, cuja estrutura foi concebida em parceria com o engenheiro Pier Luigi Nervi, o Australia Square(1967) e o Clube de Hong Kong(1980-84).


Embaixada da Australia em Paris
Autralian Square




É interessante ver como Harry Seidler defendeu os princípios modernistas ao longo de toda a sua carreira. O arquiteto permaneceu sempre coerente em sua linha de pesquisa, defendendo o modernismo não apenas pela sua qualidade estética mas também por sua metodologia e linha de pensamento. Mesmo assim, Seidler desenvolveu um conjunto de obras bastante variado, tanto em termos de programa quanto de formas - ele dificilmente repetia uma mesma solução em diferentes projetos.

“A verdadeira arquitetura moderna não está morta como alguns nos querem fazer acreditar. Mal começaram a explorar o potencial de sua metodologia”.
 

Essa exposição foi uma boa surpresa. Pouco é discutido sobre a arquitetura Australiana nas faculdades brasileiras e é interessante descobrir outros desdobramentos do movimento moderno para além da Europa, EUA e Brasil.   A exposicao fica em cartaz no IAB-RJ, na Rua do Pinheiro, nº10, até o dia 16 de Maio.


26 de abril de 2011

AUSTRIA_ SALZBURG

De 21 a 25 de Abril, 2011
Parece que se ouve música clássica apenas ao caminhar pela cidade.  A cidade do Mozart exala melodias.  Viemos passar 4 dias em Salzburg pelo festival de primavera.  Assistimos a concertos de Schoenberg, Mahler, Ravel, Strawinsky e o meu mais novo favorito: o Russo Rachmaninov.  Na companhia de meu irmão, aprendo sobre musica clássica, os compositores e as variações do estilo.
Entre concertos e ensaios, visitamos a residência do Mozart, além de alguns locais que se tornaram conhecidos no filme ‘ A Noviça Rebelde’ (ou como diriam meus amigos portugueses: ‘A música do coração’).
A cidade em si é uma graça. Intocada e impecável.  Parece que Salzburg  parou no tempo. Qualquer vestígio de arquitetura contemporânea é intimamente integrado com o tradicional. Há poucos contrastes. A cidade forma uma paisagem só, única e em harmonia. Parece um museu mesmo; Todo preservado...sem contar que absolutamente tudo é do Mozart...desde imãs de geladeira, chocolates, chás, bebidas, nomes de ruas, de museus, de teatros  e de universidades...é engraçado.
Amanhã seguimos para Berlim.


interiores de quadra no centro histórico


mirabell garten


música por todos os cantos da cidade


subida para o castelo

















vista de Salzburg