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19 de janeiro de 2015

Ruínas Urbanas | A Perimetral do Rio de Janeiro



Em 2015, a cidade do Rio de Janeiro completa o seu 450º aniversário. Com variados eventos comemorativos agendados para o ano que se inicia, a cidade vive um momento de grandes transformações.  Com as olimpíadas de 2016 se aproximando, a cidade tornou-se um grande canteiro de obras.

Dentre as mais contundentes modificações está a demolição da avenida perimetral, construída na década de 50. Um gesto que não afetou apenas o município carioca, mas toda a sua região metropolitana.  A demolição dividiu a opinião de técnicos e especialistas pois, apesar de se tratar de uma infraestrutura em bom funcionamento, a sua presença contribuía fortemente para o estado degradado do local no qual estava inserida  - a região portuária.

A demolição da perimetral ocorreu em etapas, começando em novembro de 2013 e se estendendo pelo ano de 2014. Em setembro, estive no local e pude registrar partes das ruínas que a demolição deixou. A seguir, uma sequência de imagens que retratam essa paisagem de destruição.











7 de junho de 2014

SÉRIE INSTALAÇÕES DE ARTE (3)| Esculturas Monumentais na Praça Paris


Foi inaugurada no dia 24 de Maio a “Mostra Rio de Esculturas Monumentais” na Praça Paris, no Rio de Janeiro.  Em exposição, encontram-se obras de 17 artistas brasileiros.  Além da beleza do desenho paisagístico da praça, fortemente influenciado pela escola clássica francesa, me encanta a vista do entorno - os bairros da Glória e do Centro. Nesse contexto, as esculturas dialogam simultaneamente com duas escalas diferentes – aquela do solo da praça e das grandes construções à distância. A seguir, fotografias de algumas das esculturas.


A mostra permanece até o dia 20 de Julho e eu particularmente recomendo uma visita ao entardecer, para ver a transição das obras iluminadas pela luz do dia e pela iluminação artificial.



Jorge dos Anjos(Minas Gerais) – Composição Geométrica



Claudia Dowek (Rio de Janeiro) – Amanacy (título significa "Mãe da chuva" em Tupi Guarani)

José Petrônio (Alagoas) – Homens Grandes do Sertão

Claudio Aun(Rio de Janeiro) - Entrelaçamento quântico
 

Marcelo Caldas(rio de Janeiro) – Anforas
 

Gabriel Fonseca (Rio de Janeiro) – Cubo
 




Carlos Muniz (Minas Gerais) – sem título

30 de maio de 2014

Hospital Sarah Kubitschek | José FIlgueiras Lima


Faleceu semana passada um dos grandes representantes do movimento moderno no Brasil, o arquiteto José Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé. Suas obras tornaram-se referência tanto pelo seu rigor técnico, particularmente em relação à pesquisa de materiais e utilização de estruturas pré-moldadas, quanto por sua sensibilidade e adaptação ao clima local. Dentre as suas obras mais emblemáticas, destacam-se os seus projetos para a rede Sarah de Hospitais.  Tive a oportunidade de visitar uma dessas unidades em 2009 pouco antes de sua inauguração - o Centro Internacional Sarah de Neuroreabilitação e Neurociências, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

O Hospital é tido como um dos programas mais complexos que se pode projetar dentro da arquitetura; os fluxos não podem se cruzar devido ao risco de contaminação, a ventilação deve ser controlada, a gestão de resíduos também deve que seguir uma série de procedimentos específicos, etc.  Apesar dessa rigidez, o traço do arquiteto não é ofuscado pela busca da funcionalidade. 



A beleza da composição jaz no contraste entre a força da repetição e a leveza das coberturas curvas.


























Além do hospital, há um auditório para eventos e conferências médicas.  Esse adota uma forma lúdica - quase uma gota - e possui uma clarabóia cuja abertura assemelha o movimento do desabrochar de uma flor.






















































Lelé se preocupava muito com o conforto térmico e a eficiência climática dos seus edifícios. Uma solução quer reflete essa preocupação, e se faz presente na maior parte dos espaços do hospital, é a existência de uma claraboia retrátil interna.  Nos dias mais frios, essa é fechada, diminuindo o volume interno dos espaços e portanto a demanda de ar condicionado. Em dias mais frescos, essa cobertura é aberta, o que permite uma ventilação natural a partir dos 'sheds' presentes na cobertura superior.

Jardim interno refresca e alegra o ambiente




 
Acesso à deficiente físico


Cores lúdicas e espaços claros tornam o ambiente mais leve e aliviam o peso do tratamento. Estes fatores influenciam na recuperação e na autoestima dos pacientes.








Lelé participou do processo de construção de Brasília na década de 50 e de fato, lá que foi construído o primeiro hospital da Rede Sarah, em 1980. Hoje a rede está presente em seis cidades brasileiras.



23 de abril de 2014

Harry Seidler | Exposição comemorativa dos 90 anos do precursor do modernismo na Australia




Visitei recentemente a exposição sobre o arquiteto Harry Seidler, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. A exposição, que foi encerrada no dia 06 de Abril, está agora a mostra no Rio de Janeiro na sede do Instituto dos Arquitetos(IAB-RJ), no Flamengo.  A exposição conta com vídeos de entrevistas e documentários sobre o arquiteto, além de fotografias, maquetes e textos descritivos sobre as suas obras.

Nascido de família judaíca e natural de Viena, o arquiteto se mudou para a Inglaterra em 1938, logo após a ocupação da Áustria pelos Nazistas. Foi preso em 1940 pelas autoridades britânicas sob a acusação de ser um ‘inimigo estrangeiro’  e foi entáo deportado ao Canadá. Conseguiu liberdade condicional para cursar arquitetura na Universidade de Manitoba, em Winnipeg, seguindo depois para fazer mestrado em Harvard, onde foi aluno de Walter Gropius e Marcel Breuer, com quem veio a contribuir em seu escritório em Nova Iorque. Após alguns anos trabalhando com Breuer, recebeu uma proposta de sua mãe para projetar-lhe uma casa na Australia.  Ele aceitou e, logo antes de se mudar definitivamente para a Australia, chegou a passar alguns meses no Rio de Janeiro trabalhando com Oscar Niemeyer.

As Casas de Seidler
 
Fotos da casa 'Rose Seidler' que o arquiteto projetou para a sua mãe

A casa que projetou para a sua mãe apresentava de maneira clara os princípios modernistas que Seidler defendia - traços retos, formas puras, estrutura de concreto, telhado plano, janelas em fita e a importância do percurso.  A casa chamou a atenção e Seidler logo começou a receber novas demandas de projeto. Com isso, o arquiteto começou na década de 50 um trabalho de residências que se estendeu ao longo de toda a sua carreira.

Casa Bermann - o telhado curvo demonstra uma influência de Niemeyer

Maquete da Casa Bermann

 “Não existe, em todos os tempos, outro material além do concreto armado que tenha o elemento de dar mais formas.” Harry Seidler

Casa de Julien Rose


Imagens do projeto para a sua casa com sua esposa Penélope
O material aqui aparece em seu estado bruto, muito semelhante aos projetos de Le Corbusier


Seidler trazia ideias novas e desde o princípio se posicionou de maneira forte dentro do mercado australiano. Considerava os escritórios locais ultrapassados e se comprometeu a criar novos padrões de uma arquitetura contemporânea progressista.  Além de seguir a metodologia que aprendeu com Gropius, sua arquitetura trazia uma grande reflexão sobre a aplicação dos materiais, uma noção adquirida pelo contato com Breuer, além de influências da linguagem estrutural de Pier Luigi Nervi e uma fluidez formal de Niemeyer.

Com o tempo, surgiram projetos que iam além da escala das residências unifamiliares. Além de habitações residenciais mutifamiliares, como o Horizon Apartments(1998), Harry Seidler recebeu a comissão para projetar a embaixada da Australia em Paris, o MLC Center(1975) em Sydney, cuja estrutura foi concebida em parceria com o engenheiro Pier Luigi Nervi, o Australia Square(1967) e o Clube de Hong Kong(1980-84).


Embaixada da Australia em Paris
Autralian Square




É interessante ver como Harry Seidler defendeu os princípios modernistas ao longo de toda a sua carreira. O arquiteto permaneceu sempre coerente em sua linha de pesquisa, defendendo o modernismo não apenas pela sua qualidade estética mas também por sua metodologia e linha de pensamento. Mesmo assim, Seidler desenvolveu um conjunto de obras bastante variado, tanto em termos de programa quanto de formas - ele dificilmente repetia uma mesma solução em diferentes projetos.

“A verdadeira arquitetura moderna não está morta como alguns nos querem fazer acreditar. Mal começaram a explorar o potencial de sua metodologia”.
 

Essa exposição foi uma boa surpresa. Pouco é discutido sobre a arquitetura Australiana nas faculdades brasileiras e é interessante descobrir outros desdobramentos do movimento moderno para além da Europa, EUA e Brasil.   A exposicao fica em cartaz no IAB-RJ, na Rua do Pinheiro, nº10, até o dia 16 de Maio.